Em um movimento que reacendeu os holofotes sobre o velho-chico e o extremo sul da Bahia, a política mais experiente e resiliente de Medeiros Neto resolveu deixar o silêncio estratégico de lado e vestir a camisa da oposição. Aos 67 anos, com a bagagem de quem nasceu para a vida pública na peleja do interior, a ex-prefeita Jadina Paiva (Avante) oficializou, nesta terça-feira (17/06), seu apoio à pré-candidatura de ACM Neto (União Brasil) ao Governo do Estado.
Mas quem é Jadina Paiva além do cargo? Para quem acompanha a política com lupa, ela é a neta de Alípio Paiva e Elza Paiva, fruto da fibra de uma família que construiu história nas Gerais. Filha de Aurelino Andrade Silva e Mariza Paiva, Jadina carrega no sangue a verve da advocacia – profissão que exerceu por mais de três décadas dedicadas, de forma quase missionária, aos mais carentes de sua região. Foram 30 anos pegando no batente dos fóruns e das causas populares, muito antes de qualquer cargo eletivo.
A trajetória dela nos palanques é de fazer corar qualquer novato. Natural de Medeiros Neto, onde deu os primeiros passos, Jadina acumula quatro mandatos de vereadora, tendo presidido a Câmara Municipal por uma vez. Como se não bastasse a experiência no Legislativo, ela também já vestiu a pele de secretária municipal e, posteriormente, chegou ao comando do Executivo local como prefeita por uma gestão. Ou seja, ela conhece cada engrenagem da máquina pública, desde a ponte de madeira até o gabinete mais alto.
O encontro que selou essa nova aliança aconteceu em clima de articulação fina, conduzido pelo médico e pré-candidato a deputado federal Carlos Muniz Filho (PSDB), que atuou como o maestro dessa reaproximação. Ao lado de Jadina, o pacto também inclui o apoio declarado ao jovem Neto Coelho (PDT), que deverá disputar uma vaga na Assembleia Legislativa com a benção e o capital político da veterana.
Em conversa com a nossa reportagem, Jadina foi sincera ao explicar o porquê de ter adotado um tom mais contido nas eleições passadas, mas deixou claro que 2026 será diferente. “Sempre fui do PFL. Quando fui prefeita, cumpri meu papel institucional com o Governo do PT, porque a prefeitura não pode parar por conta de sigla. Mas água passada não move moinho. Agora, vamos para a rua com força total para eleger Neto. Confiamos no projeto dele e acreditamos que a mudança não é só necessária, ela é urgente”, disparou a ex-gestora.
O encontro não se limitou a apertos de mão. A comitiva do Extremo Sul, que reúne lideranças de peso, também esteve com o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), num gesto claro de fortalecimento da tropa oposicionista. O movimento de Jadina não é isolado: ao lado dela, outras vozes de cidades como Barra do Mendes e Ichu também declararam ontem o rompimento com o silêncio e a adesão ao campo de oposição.
Com a experiência de quem já viu muitos governos irem e virem, Jadina Paiva aposta todas as fichas na juventude política de ACM Neto, mas sem abrir mão da maturidade de quem aprendeu, na marra, que política se faz com pé no chão e ouvido no povo. E, pelo visto, a guerra no sul da Bahia está apenas começando.
Da Redação do Liberdade Notícias


















