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Vídeo – Moradores denunciam proprietário do Loteamento Vila Bella, por abandono, escorpiões e jararacas

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Lançado em junho de 2013 com grande pompa pelo grupo SILC Construções e liderado pelo Senhor Lidio Sousa Oliveira, o Loteamento Vila Bella, em Medeiros Neto (BA), prometia ser um marco na moradia popular da região. Na época, a divulgação estampava casas prontas “em padrão de excelência”, infraestrutura completa com rede elétrica, iluminação pública, drenagem, água encanada, três praças e acesso asfaltado a apenas três minutos do centro. O sonho da casa própria, inclusive via programa Minha Casa Minha Vida, atraiu dezenas de famílias que investiram suas economias na expectativa de um bairro modelo.

Passados mais de dez anos, porém, a realidade é drasticamente oposta. O loteamento nunca recebeu calçamento, meio-fio, energia regularizada nem sistema de água tratada conforme previsto em legislação municipal. Os lotes ainda não vendidos estão tomados por mato alto, entulho e sujeira, sem qualquer manutenção por parte do proprietário, que abandonou completamente a área. Moradores relatam que o Senhor Lidio, após comercializar boa parte dos terrenos, simplesmente deixou de cumprir qualquer obrigação, vendendo inclusive um pedaço de uma rua para um cliente e suprimindo a área verde que era reservada para lazer da coletividade.

Já em 2019, o site Medeiros Dia a Dia publicou a primeira denúncia formal contra o responsável. Na ocasião, já se falava em lotes sem infraestrutura, ruas intransitáveis e total desassistência. Contudo, nada foi resolvido. Agora, cinco anos depois, a situação se agravou a ponto de colocar vidas em risco direto: moradores afirmam que centenas de escorpiões e dezenas de jararacas têm sido encontrados no local, colocando em extremo risco de morte os moradores.

Os moradores relatam, com medo e indignação, que escorpiões têm aparecido com frequência dentro das residências, e há registros de dezenas de jararacas encontradas no loteamento — inclusive próximas às casas. O mato alto nos lotes abandonados, somado ao lixo acumulado e à falta de qualquer limpeza por parte do proprietário, criou um ambiente propício para a proliferação desses animais peçonhentos. A situação coloca em extremo risco de morte os moradores, especialmente crianças e idosos, e não há qualquer ação de capina, roçagem ou controle de pragas sendo realizada pelo Senhor Lidio nem pelo poder público. A sensação de abandono é geral, e o medo de um acidente grave toma conta do dia a dia de quem vive no local.

O descaso de Lidio, segundo os moradores, é explícito e revoltante. “Ele só se importou em ganhar o dinheiro com a venda dos terrenos. Depois que vendeu, sumiu. Não quer saber se tem esgoto a céu aberto, se criança corre risco de picada de cobra, se as ruas viram lamaçal na chuva. Ele já recebeu o dele”, afirmou um dos líderes comunitários. A ausência de fiscalização da prefeitura também é criticada, mas a fúria maior se concentra no empresário que abandonou compradores à própria sorte.

Diante da omissão recorrente e do perigo iminente, os moradores decidiram agir com mais firmeza. Eles estão organizando um dossiê com fotos, vídeos e registros dos animais peçonhentos capturados no loteamento. A intenção é levar o caso ao Ministério Público da Bahia, exigindo não apenas a imediata limpeza e infraestrutura prometida, mas também indenização por danos morais coletivos e individuais. “Não queremos mais promessas. Queremos justiça. Ou ele cumpre ou responde criminalmente”, concluiu uma moradora.

Enquanto nada é resolvido, as famílias do Vila Bella seguem reféns do medo e da indignação. O sonho da casa própria, vendido em 2013 como solução para “sair do aluguel”, transformou-se em um pesadelo de risco sanitário, abandono judicial e falta de responsabilidade. O caso expõe mais uma vez a fragilidade da fiscalização de loteamentos no interior da Bahia e a impunidade de incorporadores que vendem promessas e entregam perigo. Agora, resta saber se o Ministério Público será a última esperança de quem só queria um lugar digno e seguro para viver.

Da Redação do Liberdade Notícias

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