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Crônica: O Que Seria de Nós Sem Aqueles Que Nunca Deixaram Suas Raízes?

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Há algo de mágico em ser raiz. Em carregar no sangue a essência de uma terra banhada por rios e embalada pelo canto das aves. Medeiros Neto é assim: um lugar que, apesar de pequeno no mapa, é grande em cultura, tradição e orgulho de quem nasceu aqui. E, no meio dessa grandeza, há artistas que não precisaram de holofotes distantes para brilhar. Eles são a luz que iluminam a nossa própria história.Almiro Dutra e Tonho de Bela são dois desses nomes que merecem ser lembrados não apenas pelo talento, mas pela resiliência e dedicação que mostram ao longo de suas trajetórias. Em uma época em que não existiam os recursos de hoje, como programas de TV, rádios dedicados à música local ou redes sociais para divulgação, eles construíram suas carreiras com esforço próprio, talento e muita paixão pela arte.Almiro Dutra, com seu violão e suas composições, transformou sua visão da cidade em uma canção que ecoa até hoje. Junto com Tonho de Bela, ele eternizou seu amor por Medeiros Neto na década de 80 com a música “Eu Sou Natural de Medeiros Neto”. Há mais de quatro décadas, essa canção é entoada com orgulho pelos medeirenses, especialmente no aniversário da cidade, em 14 de agosto. Mesmo com o advento do belíssimo hino municipal, ‘Vale do Água Fria‘, letrado por Luiz Brandão e musicado por Fred Mattos, a melodia de Almiro continua viva na memória e no coração da cidade, como um hino não oficial, mas profundamente enraizado na identidade do povo.Tonho de Bela, por sua vez, foi um dos pioneiros da música em Medeiros Neto. Sanfoneiro talentoso, ele criou a primeira banda de forró da cidade, o Trio Xodó, levando o ritmo nordestino para as festas e corações de Medeiros Neto. Ao longo dos anos, o grupo contou com participações especiais de grandes nomes, como Pablo Bomjardim, Rena, Djavan, Bolivar, Suzete, Ticão, entre outros, cada um trazendo sua própria essência e contribuindo para a riqueza musical do grupo. Em uma época em que não havia o apoio de programas de TV, rádios ou qualquer outro tipo de mídia, Almiro e Tonho foram exemplos de resiliência. Eles não contaram com os recursos que existem hoje, mas fizeram história com seu talento, determinação e amor pela arte. Percorreram o Brasil com seus shows, levando o nome de Medeiros Neto para todos os cantos e provando que a cultura local não precisa de grandes estruturas para se destacar.É hora de valorizar quem nunca nos deixou na sombra. É hora de aplaudir de pé aqueles que, mesmo sem holofotes, nunca deixaram de brilhar. E é com esse orgulho que devemos seguir, celebrando os artistas que são raiz, que são nossa essência, que são o retrato fiel de uma cidade que, mesmo pequena, é grande em cultura, em história e em amor. Porque ser de Medeiros Neto não é só um acidente geográfico; é uma escolha de alma. E quem entende isso, sabe que não há lugar no mundo que valha mais do que o nosso próprio chão.E, por fim, um agradecimento silencioso, mas cheio de significado, àqueles que nunca pediram reconhecimento, mas que merecem ser lembrados por terem plantado as sementes da cultura que hoje colhemos. A vocês, nossa gratidão eterna.

Da Redação do Liberdade Notícias

Liberdade Notícias

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